CotidianoRegionalSilene Santos

No Clássico-Rei, Governo do Ceará apresenta campanha e lança Comitê de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Combate ao Feminicídio

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Com o propósito de acessar ambientes historicamente masculinos, o Governo do Ceará lançou, neste domingo (5), durante o Clássico-Rei na Arena Castelão, o Comitê Estadual Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Combate ao Feminicídio durante o primeiro ato da campanha #EuTôNaDefesa.

O jogo entre Ceará e Fortaleza pela 6ª rodada da Copa do Nordeste, marcou a volta das duas maiores torcidas do estado ao maior equipamento esportivo estadual. “As escalações dos times foram divulgadas com todos os jogadores na defesa, na defesa das mulheres. No mês de março é importante que possamos divulgar ações assim, porque o que todas nós mulheres queremos é respeito”, pontuou a vice-governadora e secretária das Mulheres, Jade Romero, em coletiva de imprensa na Arena Castelão.

O governador do Ceará, Elmano de Freitas, ressaltou a importância da ação. “Lutamos para que o estádio seja um ambiente cada vez mais acolhedor para as mulheres e para enfrentar as terríveis estatísticas que relacionam o aumento da violência doméstica às rodadas de futebol”, publicou em suas redes sociais.

Comitê de Enfrentamento ao Feminicídio
Na coletiva, a vice-governadora Jade Romero também anunciou a criação do Comitê Estadual Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Combate ao Feminicídio, que será um órgão deliberativo, formado por representantes do poder público e da sociedade civil. O Comitê atuará a partir do acompanhamento e monitoramento dos casos no Ceará.

“Por determinação do governador Elmano, nós vamos criar esse comitê. Vamos convidar Assembleia Legislativa, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Defensoria Pública para atuar juntos nisso”, detalhou.

Pelo Poder Executivo, a composição terá representantes da Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretarias da Segurança Pública e Defesa Social e suas vinculadas (Polícia Militar, Polícia Civil, Pefoce e Supesp); das Mulheres; e Direitos Humanos.

Serão realizadas reuniões mensais com todos os órgãos para avaliação dos resultados e identificação de problemas, desde a fase de inquérito até o julgamento.

#EuTônaDefesa
Para levar ao público a mensagem, os jogadores alvinegros e tricolores entraram em campo carregando uma faixa com os dizeres “Vamos jogar juntos na defesa. Diga não à violência contra a mulher”. Na camisa, o número 180, que acolhe denúncias, e no habitual espaço para nome, #EuTôNaDefesa. Durante o jogo, o capitão de cada equipe permaneceu com a braçadeira lilás com o número 180 grafado.

Arlene Magalhães, torcedora do Ceará e mãe de duas meninas, foi ao estádio, neste domingo (5), com as filhas e o marido, e ficou muito satisfeita em ver uma ação assim entrando em um ambiente que está cada vez mais tomado por mulheres. “Primeiro, como mãe de duas meninas, eu quero que todos os homens respeitem as mulheres. Porque a gente tem que viver em uma sociedade sabendo que podemos contar com o homens também para nos sentirmos seguras em qualquer lugar que queiramos estar”,

Solange Gonçalves, que foi ao estádio torcer pelo Fortaleza, também aprovou a iniciativa. “Esse tema é muito importante, e cada vez tem se estendido. E é de grande valia, porque dentro de estádio já ocorreram vários tipos de violência. Então, esse tema, inclusive tem que se pautar mais em qualquer jogo e qualquer lugar, nessa forma de conscientizar”, concluiu.

Presentes durante o ato, os representantes dos times pontuaram a importância da ação.
“Essa é uma ação muito importante para a sociedade. Nós não podemos conviver com a agressão, com o crime, porque a sociedade em si precisa ter consciência que civilidade tem que estar em primeiro lugar. Gostaria de afirmar que o Ceará participará, incondicionalmente, de ações assim propostas pelo Governo do Estado”, pontuou Raimundo Pinheiro, representante do Ceará.

O presidente do Fortaleza, Marcelo Paz, também reforçou a importância da participação dos times para dialogar com as torcidas. “É muito bom quando clubes trabalham em harmonia em prol de uma ação, gera uma maior sensibilização. Um trabalho como esse não tem cor, não tem escudo, não tem lado. Tem que ser de todo mundo, e no estádio, infelizmente, tem coisas que são totalmente condenáveis e não podemos achar que é normal. O futebol não pode ser vetor para isso”.

ASCOM

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