Com políticas públicas para o setor, Ceará se destaca como polo produtor de flores no Brasil

Mesmo encravado no semiárido brasileiro, o Ceará conseguiu identificar microclimas que são favoráveis à produção de flores e acabou se tornando, nas últimas duas décadas, em um dos principais polos produtores do setor no Brasil. Estudos recentes mostram que o estado é considerado o terceiro na oferta de produtos de floricultura para o mercado interno. No período de 2006 a 2017, o número de produtores locais saltou de 295 para 730, crescimento de aproximadamente 148% da cadeia produtiva, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse protagonismo no mercado tomou corpo após o Governo do Ceará, ao longo das últimas décadas, passar a incentivar a produção por meio de políticas públicas para investimento em tecnologia e treinamento. Silvio Carlos Ribeiro, secretário-executivo de Agronegócio da Secretaria do Desenvolvimento do Trabalho (Sedet), explica que “a demanda externa e interna aquecida, microclima favorável e a gestão governamental fizeram com que o Ceará iniciasse sua produção naquela época com uma inserção forte nas exportações”.

Dentre as iniciativas do Governo para alavancar a produção de flores e atração de produtores estavam a implementação dos programas “Cearense de Agricultura Irrigada” e de “Desenvolvimento do Agronegócio da Floricultura”, além da contratação de consultores estrangeiros para qualificar os floricultores sobre técnicas de cultivo mais adequadas. Outros projetos também passaram a auxiliar a cadeia, como a Escola de Floricultura do Ceará (Tecflores), Centro Agroflores de Inovação Tecnológica, Projeto Florescer, Produção de Cactus no Semiárido, Flores Tropicais e o Projeto Caminhos de Israel de Flores.

Novos voos

A produção de flores brasileiras, inclusive a local, já teve como um dos principais destinos o mercado exterior. O Ceará, entre 1997 e 2014, chegou a crescer mais de 300 vezes seu volume de exportação de flores e plantas ornamentais. De 1997 a 2017, o valor exportado somou US$ 44,23 milhões e o importado US$ 5,61 milhões, gerando um superávit de US$ 38,62 milhões.

Com a crise mundial no final da década passada, o mercado internacional sofreu uma desaceleração. Porém, o Brasil caminhava na contramão da queda de consumo, o que fez que com o passar dos anos o volume de produção enviado para fora do Brasil acabasse sendo negociado internamente, como detalha Silvio Carlos Ribeiro. “De 2014 para cá, o volume de exportações diminuiu devido a dois fatores: mercado externo desfavorável e o interno bem favorável, então o setor focou muito no mercado interno”.

O Ceará possui seis polos produtores de flores, sendo o maior deles o da Serra da Ibiapaba, por contar com fatores geográficos favoráveis. O clima tropical úmido, altitude de 900 metros em relação ao nível do mar e temperatura média anual de 21°C são pontos positivos para o cultivo de flores. Quase três mil horas de sol por ano, ausência de granizo e geadas e a proximidade com a Linha do Equador também contribuem.

Anualmente é ofertado um curso gratuito para jovens da comunidade que têm entre 18 e 25 anos. São 192 horas/aula divididas em 17 módulos e estágio profissional. As disciplinas abordam temas como Introdução à Floricultura, Produção de Flores Temperadas de Corte, Produção de Rosas, Produção de Folhagens Ornamentais, Agricultura Orgânica, Economia Solidária, Segurança do Trabalho, dentre outros.




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