75 anos de Hiroshima: relembre ataques nucleares que marcaram fim da 2ª Guerra

Há 75 anos, em 6 de agosto de 1945, às 8h15, a bomba atômica de urânio Little Guy atingia a cidade de Hiroshima, no Japão. Três dias depois, a bomba atômica de plutônio Fat Man atingiria Nagasaki. Essa foi a primeira e única vez em que armas atômicas foram usadas em guerra.

Dentro dos primeiros quatro meses, as armas chegaram a causar entre 90 mil e 166 mil mortes em Hiroshima e entre 60 e 80 mil mortes em Nagasaki. Mais da metade das vítimas morreu no primeiro dia de explosões, enquanto o restante foi padecendo posteriormente por conta de queimaduras e efeitos da radiação.

Pesquisas indicam que sequelas dos ataques foram reconhecidas em mais de meio milhão de pessoas no Japão.

Desde então, a ameaça das armas nucleares tem sido uma questão de extrema relevância nas relações internacionais. Muitas coisas mudaram naqueles dias: a concepção do poder de destruição do armamento e os limites da ciência usada para devastação passaram a ser questões refletidas intensamente.

Por que a bomba atômica causa tanta destruição?

Uma das principais perguntas que se faz até os dias de hoje é o porquê das bombas atômicas serem tão poderosas.

Sua composição e forma de detonação são diferentes de explosivos como o TNT, por exemplo. Esse tipo de bomba, muito utilizado na demolição de edifícios, é impulsionado pela grande quantidade de oxigênio em sua estrutura molecular. Para iniciar a cadeia de explosão, porém, é necessária uma faísca que comece as reações de combustão.

As bombas atômicas porém, funcionam através de um processo de fissão nuclear. Ao contrário de outros explosivos, seu poder é liberado quando um átomo instável é dividido através do bombardeamento de partículas, como os nêutrons. Esse armamento é composto principalmente por átomos de urânio e plutônio, elementos de alta instabilidade. Quando um átomo desses elementos é bombardeado e então fissurado, ele causa uma reação em cadeia fazendo com que todos os átomos em volta dele passem pelo mesmo processo.

A detonação desse tipo de bomba pode causar uma explosão equivalente ao que 20 mil toneladas de TNT causariam.

Como ela foi produzida?

A história das bombas detonadas em Hiroshima e Nagasaki começa com uma carta de dois físicos muito importantes destinada ao presidente americano na época, Franklin Roosevelt.

Albert Einsten e Leo Szilard alertavam sobre o desenvolvimento de um novo tipo de arma, uma bomba de fissão nuclear que estaria sendo criada pela Alemanha de Adolf Hitler. Eles se basearam no avançado conhecimento que físicos alemães do nazismo tinham sobre atomística, parte da química que estuda essas moléculas.

Pouco tempo depois foi dada a largada ao Projeto Manhattan, que chegou a envolver cerca de 200 mil pessoas, incluindo Einstein. O objetivo dele era conseguir projetar um explosivo que usasse fissão nuclear antes dos alemães, supostamente para evitar que os rivais pudessem usar tal capacidade de destruição.

A primeiro explosivo testado chamava-se Trinity, e sua detonação foi realizada em Los Álamos, no estado americano do Novo México, no dia 16 de julho de 1945.

Depois das explosões em Hiroshima e Nagasaki, Albert Einsten e outros cientistas do projeto se viram devastados pela capacidade destrutiva que ajudaram a criar.

A radiação que permanece

Tanto a bomba de Hiroshima quanto a de Nagasaki foram detonadas no ar, após serem lançadas por aviões. Esse fator fez com que a radiação se espalhasse em forma de nuvem sobre o território, atingindo uma grande área.

Caso diferente por exemplo, do acidente na usina de Chernobyl, onde a explosão local fez com que a radiação ficasse concentrada no sítio e o tornasse inabitável até hoje.

Durante muitos anos, a radioatividade perseguiu os habitantes dessas cidades. Entre os que sobreviveram à explosão, muitos desenvolveram câncer e outras doenças graves. Esses efeitos se alastraram por gerações.

Por que o Japão? Por que Hiroshima e Nagasaki?

A rivalidade entre Estados Unidos e Japão havia começado muitos anos antes da Segunda Guerra Mundial. Em 7 de dezembro de 1941, japoneses invadiram a base militar americana de Pearl Harbor, o que motivou uma declaração de guerra.

De início, o Japão foi vitorioso e conseguiu conquistar diversos territórios asiáticos, derrotando forças americanas, francesas e inglesas. No entanto, após uma batalha que destruiu grande parte das embarcações japonesas, o país passou a acumular perdas e uma derrota final era irreversível.

Nesse ponto, os EUA, juntamente do restante dos Aliados, planejavam a invasão do Japão. No entanto, uma incursão tradicional poderia resultar em milhares de soldados americanos mortos. Foi quando o país apresentou o resultado do Projeto Manhattan.

As cidades escolhidas eram alvos estratégicos militares, com portos e campos de aviação.

Alguns dias depois do bombardeio, no dia 14 de agosto, o imperador Hirohito anunciou a rendição japonesa pelo rádio, o que marca o final da Segunda Guerra Mundial.

Os 75 anos

Nesta quinta (6), sinos tocaram em Hiroshima para marcar os 75 anos da data.

Normalmente, milhares se juntam no Parque da Paz, no centro da cidade, para rezar, cantar e oferecer cisnes feitos com dobraduras como símbolo de paz. No entanto, com a pandemia, o evento foi reduzido e apenas sobreviventes e suas famílias puderam comparecer à cerimônia memorial.

“Em 6 de agosto de 1945, uma única bomba atômica destruiu nossa cidade. O rumor na época era que ‘nada cresceria aqui pelos próximos 75 anos'”, disse o prefeito Kazumi Matsui. “Ainda assim, Hiroshima se recuperou e se tornou um símbolo de paz”.

 

*Com informações da Reuters




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