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Machismo, imitações de Trump e refugiados: As polêmicas de Dalai Lama

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O vídeo em que o Dalai Lama aparece beijando uma criança nos lábios e pedindo para ela “chupar sua língua” tem circulado pelo mundo nos últimos dias, causando choque e revolta. No entanto, essa não é a única situação em que o líder tem sido envolvido em polêmicas e críticas nos últimos anos.

Lembrando que no vídeo recente, o líder espiritual é abordado por uma criança que pede um abraço, e ele gesticula para a bochecha, mas acaba beijando a boca da criança e dizendo para ela “chupar sua língua”, colocando-a para fora e encostando a testa com a testa da criança. O menino replica o gesto antes de se afastar, enquanto o monge de 87 anos o puxa para outro abraço, entre risos.

O incidente teria ocorrido no final de fevereiro, no templo de Sua Santidade, em Dharamshala, na Índia, diante de uma audiência de cerca de 100 estudantes que teriam concluído seus estudos na M3M Foundation, segundo relatos do The Guardian.

Diante dessa interação, considerada pelos internautas como “perturbadora”, “inapropriada” e “nojenta”, o escritório do líder espiritual emitiu um comunicado assegurando que seu comportamento foi “inocente e brincalhão”, pedindo desculpas à criança e à sua família “pela dor que suas palavras possam ter causado”.

“Sua santidade costuma provocar as pessoas que conhece de maneira inocente e divertida, mesmo em público e diante das câmeras. Ele lamenta o incidente”, diz a nota emitida nas redes sociais.

Vale ressaltar que mostrar a língua é uma saudação tradicional na cultura tibetana, vista como um sinal de respeito.

“Mulher mais atraente”

Em 2019, o líder religioso deu uma entrevista à BBC com declarações consideradas machistas. Quando questionado sobre a possibilidade de o próximo Dalai Lama ser uma mulher, ele respondeu em inglês que ela deveria ser mais bonita do que ele.

“Se uma Dalai Lama mulher vier, ela deverá ser mais atraente”, disse, rindo, acrescentando que, caso contrário, “não terá grande validade”.

Assim como na polêmica mais recente, foi necessário um pedido de desculpas diante da reação do público.

Destaca-se que os budistas acreditam na reencarnação após a morte. Para o budismo tibetano, o líder religioso e chefe de Estado conhecido como Dalai Lama é a reencarnação de um líder que nasceu pela primeira vez em 1391. O atual Dalai Lama, Tenzin Gyatso, considerado a 14ª reencarnação, tem 87 anos.

Visitou líder de seita

Após investigações realizadas em 2017 terem revelado que o grupo americano Nxivm era uma seita que mantinha escravas sexuais, o Dalai Lama foi criticado por ter participado de um evento do grupo e ter se encontrado com o líder da seita, Keith Raniere, que atualmente está detido e condenado nos EUA.

O evento no qual o líder religioso participou ocorreu em 2009, antes das denúncias contra o grupo. Uma das líderes do grupo, Sara Bronfman, teria sido responsável por conseguir a presença do líder religioso, devido à sua relação próxima com um funcionário do líder tibetano autodeclarado “emissário da paz”, Lama Tenzin Dhonden.

Em 2017, Dhonden foi exonerado do cargo que ocupava na fundação do líder tibetano, após ser acusado de corrupção.

Imitação de Trump

Além disso, em 2016, o Dalai Lama fez uma imitação de Donald Trump, imitando o cabelo e a boca com as mãos. Na mesma entrevista, ele expressou seu desagrado com a política de fronteiras fechadas implementada por Trump, bem como com a retirada dos EUA dos Acordos de Paris de luta contra as mudanças climáticas.

“A Europa pertence aos europeus”

Em 2016, em entrevista ao jornal alemão FAZ, o líder tibetano afirmou que a Europa possui um número excessivo de refugiados. Ele declarou: “A Europa, e por exemplo a Alemanha, não pode se tornar um país árabe”, enfatizando a responsabilidade dos países europeus em ajudar essas pessoas.

Ele também afirmou: “Em termos morais, acredito que os refugiados só podem ser acolhidos temporariamente. O objetivo deve ser repatriá-los e ajudá-los a reconstruir seus próprios países.”

Em 2018, durante uma visita à Suécia, ele reiterou que “a Europa pertence aos europeus” e que os países deveriam deixar claro para os refugiados que estes devem trabalhar para reconstruir seus próprios países. Ele também afirmou que a Europa tem uma responsabilidade moral de ajudar os refugiados que enfrentam riscos reais em suas vidas.

Essa ideia foi reforçada novamente em 2019, em uma entrevista à BBC.

FOLHAPRESS

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